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O seu gerenciador está contando a mesma venda mais de uma vez?

Conversão na tela é uma soma, e a soma esconde as parcelas. Três passos, na sua conta do Google Ads, para descobrir o que o número de conversões está somando antes de levá-lo para a reunião.

Ao terminar esta leitura você vai ter rodado, na sua própria conta, a checagem que procura, nos números do seu gerenciador, a mesma venda somada mais de uma vez. É para quem decide mídia paga e presta conta de um número que não controla: você apresenta o resultado, mas quem produziu o número foi a plataforma.

O relatório que parece bom

O mês fechou bem. As conversões subiram, o custo por conversão caiu, o ROAS subiu. O gerenciador mostra um número redondo na coluna de conversões e você leva esse número para a reunião. Ninguém questiona, e com razão: o número veio da plataforma, não de uma planilha que alguém montou.

Aí o financeiro pergunta por que a receita não acompanhou.

A essa altura a conversa tem dois caminhos, e os dois são becos. O primeiro é desconfiar do rastreamento: alguém abre um chamado, mexe no pixel, testa o evento, e não acha nada errado. O segundo é desconfiar da plataforma: ela estaria inflando o resultado para justificar o investimento.

Existe uma terceira hipótese, mais simples que as duas: "conversão" na tela é uma soma, e a soma esconde as parcelas.

Três jeitos de o total enganar sem estar errado

O mesmo evento com nomes diferentes. Contas podem acumular ações de conversão ao longo do tempo: uma criada pela agência anterior, uma do desenvolvedor, uma que veio junto com a plataforma de e-commerce. Três nomes diferentes que disparam no mesmo instante, na mesma página de obrigado. O relatório pode somar os três, e o número resultante parece plausível, que é o que torna isso difícil de perceber. O Passo 1 confere também a variante sem nome novo, em que a mesma tag dispara duas vezes para a mesma venda.

Objetivos diferentes no mesmo denominador. Compra e lead são conversões, mas não são a mesma coisa. Quando os dois entram na mesma conta de ticket médio, o denominador incha e o ticket cai, sem que um centavo de receita tenha mudado. É aritmética: a receita fica onde estava, o divisor cresce, a razão despenca.

A janela decide o que entra na conta. A plataforma não conta "vendas": ela conta vendas que aconteceram dentro de uma janela de tempo depois de alguém clicar ou ver o anúncio. Na Meta, a atribuição por clique conta eventos ocorridos até 1 ou até 7 dias depois do clique no link do anúncio, conforme a configuração, e a atribuição por visualização conta eventos ocorridos até 1 dia depois da impressão. A mesma venda entra ou não entra conforme a janela que cada ferramenta usa.

Vale saber que a própria Meta avisa nessa direção. A documentação dela diz que cada modelo de atribuição usa mecanismos de contagem diferentes e que comparar entre modelos leva a conclusões imprecisas. Quem avisa que o número não é comparável é quem produz o número.

Passo 1: descubra o que a coluna Conversões está somando

Este texto usa o vocabulário e as telas do Google Ads. Se a sua conta é Meta, o mecanismo é outro, e o desvio está no fim deste passo.

Antes de começar, você precisa de duas coisas: acesso de leitura à conta de anúncios, e a receita e o número de vendas do período segundo quem fecha o caixa. Sem a primeira, o Passo 1 vira pedido à agência: a tabela de ações de conversão com, por ação, se é principal ou secundária, a origem, a janela, a contagem e a taxa de repetição, mais o total mês a mês no período do relatório que você levou para a reunião; são as colunas que o passo usa, e sem elas ele não roda em cima da lista. Sem a segunda, o Passo 2 vira pedido ao cliente. É melhor saber isso agora do que no meio.

Filtre pelo que a coluna soma

Abra a tabela de ações de conversão da conta (Metas > Conversões > Resumo), e não o relatório de campanha. Só as ações marcadas como principais entram na coluna Conversões. A coluna Otimização de ação diz qual é qual: anote as principais com pelo menos uma conversão no período do relatório. As secundárias ficam na coluna Todas as conversões, e fora deste passo; se é essa a coluna que você apresenta, a lista deste passo é a tabela inteira. Se alguma campanha usa metas de conversão próprias, a coluna dela soma só as ações que ela otimiza.

Agrupe as candidatas pelo que medem e por onde chegam

Entre as principais, agrupe pelo que cada ação mede: compra com compra, contato com contato. Mais de uma ação principal medindo a mesma coisa, com origens diferentes (o site, pela tag; o Google Analytics; uma importação de vendas do CRM), é candidata a mesma venda contada mais de uma vez, mesmo que os números não andem na mesma proporção: janela, contagem e modelo de atribuição podem ter sido configurados de forma diferente em cada uma, e essa configuração aparece, com a origem, ao passar o mouse sobre a ação na tabela. A importação entra de propósito: é a duplicata que não dispara em página nenhuma.

A proporção continua servindo, como apoio e não como filtro: ações que são a mesma venda tendem a subir e descer juntas ao longo dos meses, mas ações distintas também podem, e duas ações da mesma venda podem não andar juntas quando a configuração difere. A proporção constante levanta a suspeita, a variável não a derruba, e o que confirma é a página. A série mês a mês por ação está no relatório de campanha, com a coluna Todas as conversões segmentada por ação de conversão: é a única hora em que ele entra.

Confirme na página de obrigado

Abra a página de obrigado com o Tag Assistant, a extensão do Google para o navegador: o painel dela mostra as tags do Google encontradas na página. Duas conversões medindo a mesma coisa e disparando no mesmo carregamento são o mesmo evento. Nome diferente não faz evento diferente. Se "Compra", "Purchase" e "compra-site" disparam no mesmo carregamento e as três são principais, você tem três nomes para a mesma venda e, na coluna Conversões, uma venda contada três vezes. Se uma delas é secundária, a coluna conta uma vez, e a repetição está só em Todas as conversões.

Se a página só aparece depois de uma compra, faça uma compra de teste ou peça o endereço a quem cuida do site. Sem ver a página, a resposta deste passo é "não sei", e não "não achei".

Confira se um nome só dispara duas vezes

Uma ação só também pode contar a mesma venda duas vezes: a tag instalada em dobro, ou a página de obrigado recarregada. Com a página aberta no Tag Assistant, conte quantas vezes a conversão dispara num carregamento, e depois recarregue. Duas vezes num carregamento é a tag em dobro. Disparar de novo no recarregamento é normal para uma tag; o que decide se vira segunda conversão é o ID de transação: com ele a plataforma reconhece a mesma venda, sem ele pode contar de novo. Na tabela, a taxa de repetição corrobora: numa compra em que o cliente raramente compra de novo dentro da janela, taxa perto de 2 é sinal de disparo duplo, e é sinal, não prova, porque recompra real também sobe a taxa.

O que muda se a sua conta é Meta

Na Meta, a lista de nomes não é o que a coluna soma. A coluna Resultados conta o evento que o conjunto de anúncios otimiza: três nomes na lista de eventos não são três contagens. O que dobra a venda na Meta é o mesmo nome chegando duas vezes: pelo Pixel e pela API de Conversões sem o mesmo event_id, ou pelo pixel instalado duas vezes na página. Abra o evento no Gerenciador de Eventos e veja as fontes e o estado da desduplicação; depois abra a página de obrigado com o Meta Ads Data Advisor, a extensão da própria Meta, e conte quantas vezes o evento dispara. Duas vezes na mesma página é a suspeita; o estado da desduplicação diz se a segunda foi descartada. Os Passos 2 e 3 valem igual: são planilha e tabela, não tela.

Passo 2: separe os objetivos antes de somar

Divida as ações da lista, já com os nomes do mesmo evento agrupados, em dois grupos: o que termina em dinheiro e o que termina em contato. Compra num grupo, lead no outro. Tudo o que não é nem compra nem contato (carrinho, checkout iniciado, página vista, instalação) fica fora dos dois grupos, e fora de qualquer métrica que tenha receita no numerador. Isso vale hoje, na sua planilha, e vale na plataforma, pelo ajuste que a seção de leitura descreve, quando o acesso for seu.

Exemplo, com números inventados. A conta vendeu 100 vezes a 200 reais, então entraram 20 mil reais e o ticket real é 200 reais. Só que a coluna Conversões também conta 400 leads, marcados como principais. Qualquer coluna ou planilha que divida o valor de conversão pelo total de conversões vai dividir 20 mil por 500 e mostrar ticket de 40 reais. Se o mesmo lead ainda for contado duas vezes, o denominador vai a 900 e o ticket aparece como 22 reais. Nada mudou na receita, nada quebrou no rastreamento, e você está prestes a abrir um chamado.

Refaça a conta com os grupos separados, e com numerador e denominador da mesma fonte: o ticket da plataforma é o valor de conversão das compras dividido pelo número de compras, os dois da plataforma; o ticket do financeiro é a receita do caixa dividida pelas vendas do caixa. Os dois se comparam lado a lado, e não se mistura receita de um com contagem do outro: o financeiro conta todos os canais, a plataforma só o que atribuiu ao anúncio. A conta é sua, numa planilha. Se o ticket da plataforma, só com as compras, voltar para perto do que o financeiro conhece, a mistura de objetivos explica a diferença, e o rastreamento deixa de ser a primeira suspeita. Se continuar baixo, volte ao Passo 1 e ao agrupamento: com valor e contagem da mesma coluna, ticket baixo é contagem com coisa sem valor dentro.

Se a sua conta só gera contato, o Passo 2 não se aplica. O Passo 1 vale igual, e a métrica a refazer com o grupo certo é o custo por contato.

Passo 3: anote o que cada ferramenta conta antes de comparar

Este passo não compara os números: ele prepara a comparação, que é outro texto. O resultado é uma tabela com o que cada ferramenta conta, para ir ao lado dos números na próxima reunião. No Google Ads, uma linha por ação principal que sobrou do Passo 1, porque a configuração é de cada ação; se as janelas diferem entre si, essa já é uma diferença dentro do próprio gerenciador. Na Meta, uma linha por configuração de atribuição em uso. Se a sua referência é o financeiro ou o CRM, a linha já vem preenchida: eles contam a venda quando ela acontece, sem janela.

Ferramenta O que entra Janela Contagem Registra a venda na data de
Google Ads, coluna Conversões (uma linha por ação principal) confira: só clique, ou clique e visualização a de cada ação confira: cada venda uma vez, ou cada disparo da impressão ou do clique que a originou
Meta, coluna Resultados clique, e visualização se a configuração incluir até 1 ou até 7 dias depois do clique; até 1 dia depois da impressão confira: cada venda uma vez, ou cada disparo confira na sua conta
Google Analytics 4 os pontos de contato dentro da janela retrospectiva 90 dias por padrão; 30 só para os eventos de aquisição do GA4 confira: cada venda uma vez, ou cada disparo da conversão
Financeiro ou CRM todas as vendas, de qualquer canal nenhuma cada venda uma vez da venda

Os padrões nas células vêm da documentação de cada ferramenta, e a sua conta pode ter mudado: o que vale é o que está configurado na sua, escrito por cima. No Google Analytics 4, a janela retrospectiva determina quanto tempo atrás um ponto de contato ainda pode receber crédito; o padrão é de 90 dias, e de 30 só para os eventos que o próprio GA4 classifica como de aquisição, que são eventos e não campanhas.

E existe uma diferença que não é de janela, é de calendário: o Google Ads registra a conversão na data da impressão ou do clique que a originou, e não na data em que ela aconteceu, enquanto o seu analytics e o seu financeiro registram na data da venda. O mesmo evento pode aparecer em dias diferentes em cada relatório.

Com a tabela preenchida, uma parte da divergência deixa de ser mistério e vira diferença explicável. Os dois números podem estar certos ao mesmo tempo, porque estão respondendo a perguntas diferentes. Igualar as janelas não iguala os números: além da janela, cada ferramenta decide o que entra e como conta cada venda, que são as outras colunas. Este texto fica na janela, na contagem e na data; quanto da diferença vem de cada uma, ele não mede.

O que cada resultado quer dizer

Você achou nomes duplicados. Hoje, na sua planilha, conte uma ação por evento. Na plataforma, marque as outras como secundárias: elas continuam em Todas as conversões, então o histórico não some, e saem da coluna Conversões e do lance automático. Esse ajuste é configuração: se o acesso é de outra pessoa, é pedido, e o pedido é este parágrafo. Depois dele, recalibre as metas de custo por conversão e de retorno, definidas sobre o número dobrado, e, antes de reapresentar meses anteriores, confira se a coluna deles mudou junto. O número vai cair, e a queda não é perda: é a mesma venda deixando de ser contada duas vezes.

Você achou um nome só disparando duas vezes. O conserto está na tag, não no relatório: a instalação em dobro removida, ou o ID de transação do Passo 1. É pedido para quem cuida do site, e o pedido é o que o Tag Assistant mostrou. Até lá, o número dessa ação continua dobrado, e você apresenta sabendo disso.

Você achou objetivos misturados. Separe os grupos na planilha e refaça, em cima do grupo certo, as metas de custo por conversão e de retorno que você acompanha e apresenta. Na plataforma, o conserto é configuração de metas, e é pedido para quem tem o acesso: a coluna que você apresenta precisa somar só o grupo das compras. Esse conserto muda decisão, porque métrica de eficiência com denominador errado pode levar a cortar campanha boa.

As janelas, as contagens ou as datas são diferentes. Os dois números não são comparáveis como estão, e uma parte da diferença tem essa causa. Quanto da diferença, esta checagem não mede: a tabela do Passo 3 vai ao lado dos números, e a comparação é outro texto.

Você não achou nada. Isso também é resposta, e é uma boa, com uma condição: a checagem não apontou nome repetido, nome único disparando duas vezes nem objetivo misturado, e você viu a página de obrigado. Sem ver a página, você ainda não rodou o Passo 1: a resposta é "não sei", e não "não achei". Com a condição cumprida, a diferença que sobrar passa a ser procurada na tabela do Passo 3, ou no efeito do próprio anúncio, que é outra pergunta. Você já olhou as parcelas e pode investigar o resto sem refazer os Passos 1 e 2.

Em nenhum desses casos você vai descobrir qual número é "o certo". Vai descobrir o que cada número está contando, que é uma pergunta melhor.

O que esta checagem não prova

Ela não prova que a sua mídia não funciona. Contagem inflada e campanha ruim são coisas diferentes, e uma conta pode ter as duas, ou nenhuma.

Ela não substitui teste de incrementalidade. Saber quantas conversões foram contadas corretamente ainda não diz quantas teriam acontecido sem o anúncio, que é outra pergunta e exige outro método.

Ela não põe preço no que você achou. Qualquer número nessa direção seria invenção nossa, e este texto não tem como sustentar.

E ela não elege um vencedor entre a plataforma e o analytics. A própria Meta documenta que comparar modelos de atribuição diferentes leva a conclusão imprecisa. Na nossa leitura, isso vale nos dois sentidos: nem o gerenciador nem o analytics é a versão oficial da realidade.

O que a checagem entrega é menor e mais útil: você passa a saber o que o seu número está somando. Antes de acusar a plataforma, vale conferir como a própria métrica foi construída, porque métrica construída errada produz sintoma idêntico ao de falha de rastreamento.

Próximo passo

Quer ver isso no seu número?

A gente transforma dado espalhado em decisão de mídia. Veja como funciona.